Pensamentos e Emoções são como cabines de uma roda-gigante.
"Perceber seus pensamentos e sentimentos como se fossem cabines em uma roda-gigante pode ajudá-lo a lidar com eles."
Observe as cabines de uma roda-gigante. Fixe em uma e imagine ela seguindo o movimento da roda. Ora ela estará em uma posição, ora em outra. Certamente, esse movimento tende a se repetir e a cabine ocupar a mesma posição em determinados momentos. Contudo, mesmo que ela ocupe a mesma posição, não estará sendo ocupada pelas mesmas pessoas.
Em resumo, a cada parada, novas pessoas entram na cabine para aproveitar o passeio, e a cabine vai girando conforme a roda se movimenta, e isso faz com que ela retome algumas posições - e geralmente com pessoas distintas.
E o que isso tem a ver com os seus pensamentos e emoções?
A resposta é simples: eles não são permanentes e não ocupam a mesma posição; não ficam tal como aparecem para sempre e, na grande maioria das vezes, o conteúdo que eles apresentam são bem distintos, mesmo que às vezes se repita.
Mas na prática, compreendo que não é nada fácil. E não é fácil porque, ao deixar que os pensamentos e emoções sigam o fluxo, o seu movimento natural, e experimentá-los em seu modo mais intenso, compreendendo ainda que a intensidade e a frequência irão diminuir com o tempo e o movimento da vida, é se despir de qualquer armadura que você possa estar utilizando para se proteger do desconforto que esses mesmos pensamentos e emoções podem gerar.
O primeiro passo, e também o mais difícil, é o processo de aprender a sentir, pensar e viver o pensamento e a emoção sem tentar se livrar deles (afinal de contas, não tem como retirar a cabine da roda-gigante, só porque você não concorda com a posição que ela ocupa naquele momento do passeio!).
Quando você se permite esse desconforto, que a depender do pensamento e da emoção pode ser maior ou menor, você compreende também que alguns filtros e proteções, na verdade, acabam estendendo a sua dor, o seu sofrimento e, por vezes, até a intensifica.
Acredito, com isso, que o ponto de maior de contradição - justamente por ser o mais desafiador e (com persistência) o mais libertador, é deixar o pensamentos e a emoção seguirem o fluxo, experimentado-os em seu ápice. É desafiador, porque, de algum modo, você também terá que lidar com toda camada de proteção que vive até então, que provavelmente se encontra na fuga de viver o desconforto, e libertador porque, ao perceber que experimentá-los, você pode estar diminuindo a extensão do sofrimento - talvez, como retirar a esparadrapo de uma vez só!
Sendo assim, quando lhe ocorrer o próprio pensamento e/ou emoção é necessário imaginá-los como uma cabine de uma roda-gigante, que no momento está no topo, gerando o mais intenso desconforto, mas que, conforme a roda gira, ou seja, conforme as horas passam e a vida acontece, esse mesmo pensamento e emoção, já podem estar na base novamente, perdendo toda intensidade e gerando cada vez menos desconforto.
Ao se expor a esse exercício, de aceitar genuinamente o desconforto e seguir, compreendendo que em determinados momentos, ele irá cessar, é uma abertura a outro aprendizado, de que nem tudo é passível de ser resolvido. Há momentos em que o sentir se torna a maneira mais saudável de viver o desconforto, por que sabem qual é o final disso tudo? É que, assim como a roda-gigante vai continuar girando, a vida vai continuar acontecendo, às vezes com novas dores, às vezes com sofrimentos já conhecidos, às vezes com problemas a serem resolvidos, às vezes com emoções apenas para serem sentidas.
Despir-se e abrir-se para experimentar sentir é um processo que pode ajudá-lo a minimizar o sofrimento, justamente porque, como Carl Rogers já dizia: "a vida, no que tem de melhor, é um processo que flui, que se altera, e onde nada está fixado" e, com isso, precisamos seguir buscando modos mais saudáveis de existir.
*ATENÇÃO:*
Sempre procure ajuda de um profissional caso esse processo se torne insustentável demais, penoso demais. A vida é fluxo, mas nem por isso você precisa seguir sozinho!


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