Alcançar metas é possível, num dado contexto...

Se eu lhe entregasse um livro de 30 páginas e lhe dissesse que no final de 30 dias, você precisaria relatar todo o enredo do mesmo, o que garantiria, com mais segurança, que ao final do prazo estipulado você, de fato, estivesse lido: ler uma página a cada dia ou dez página em três dias?

Poderia estar falando sim sobre o hábito de leitura, mas aqui, estou falando mesmo sobre algo mais geral, que são as metas de ano novo (que sim, podem incluir o hábito da leitura).

O início de um ano marca também o início de um novo ciclo. E é evidente que desejamos que o novo seja tão bom quanto, mas que principalmente seja melhor. Desejamos sim, que as metas sejam alcançadas e, convenhamos, às vezes até dobramos as metas. Mas aqui há um risco - um daqueles bem grandes - querer que elas sejam rapidamente alcançadas e, com isso, não levar em consideração o contexto. 

De fato podemos ler um livro de 30 páginas em três dias. Mas não é mais seguro ler aos poucos e sempre, para chegar ao final com mais convicção de que leu, compreendeu e fez o melhor que podia? Afinal, se você desconsiderar o contexto e a imprevisibilidade de uma vida fluida, você pode não conseguir alcançar o que tanto almeja, porque três dias podem parecer tempo suficiente, mas não são 30 dias.

Acredito que, antes de colocar qualquer meta no papel, é importante compreender o nosso contexto e as possibilidades que temos, porque assim, podemos pensar e nos organizar em relação ao que desejamos alcançar neste novo ano, de modo que possamos validar o que já construímos, identificar pontos que podemos melhorar e, de acordo com nossa realidade, reinventar ou criar novas metas, novos objetivos.

Ao levar em consideração o nosso contexto, nossa realidade, a nossa rotina e como ela se desenrola ao longo dos dias, nós podemos mapear metas mais palpável e possíveis de serem conquistadas. O maior equívoco é estabelecer metas, sejam elas novas ou de continuidade, que não cabem na nossa realidade, ou seja, metas que não levam em consideração os vieses do dia a dia, que são muitos.

Naturalmente, ao longo de um ano, muitas coisas vão ocorrer, sejam boas ou ruins, e aceitar esses eventos, da mesma maneira que levá-los em consideração para mapear essas metas, podem facilitar o processo de fazer e de manter a constância. É certo que vamos lidar com muitas frustrações, eventos negativos e situações que podem interferir também negativamente na manutenção das metas, mas se elas forem mais acessíveis e cabíveis, as chances de não abandonarmos o objetivo central, são grandes. 

São muitas informações paralelas e jeitos de criar e fazer metas acessíveis para nós, mas o único jeito “certo” é o que cabe na nossa realidade. Tem pessoas que preferem dividir metas a serem cumpridas a longo, médio e curto prazo, tem gente que estipula objetivos pontuais a serem conquistados, para depois avançar para um novo, tem gente que faz checklist… enfim, independente de como elas serão colocadas no papel, é super válido também, esclarecer COMO elas serão executadas, os jeitos de fazer, de cumprir.

Enfim, acredito que ter metas é como se pudéssemos ter um norte, um direcionamento ao longo do próximo ano. Dá mesma maneira que é fundamental que esse norte seja compatível com a nossa realidade de vida, é necessário que, sempre que possível, possamos flexibilizar para “continuar cabendo” e continuarmos executando, porque é mais interessante continuar sempre, mesmo que tenhamos que diminuir o ritmo, a ter que interromper ou abandonar a execução por não levar em consideração nossas condições ambientais, emocionais e situacionais. 




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