Ah, o amor…

"Não chamo meu amor de idolatria 

E nem de ídolo você a quem eu amo. 

Sei que não posso exigir seu amor 

Assim como proclamo meu amor galante. 

Dou-lhe apenas algumas razões para que goste de mim (...)"

(Shakespeare - Trecho adaptado de Soneto)


“Amar é um verbo que exige esforço consciente e constante."

(Gary Chapman - Livro As Cinco Linguagens do Amor)


"Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."

(Clarisse Lispector - Trecho da crônica Perdoando Deus)


"O amor não passa de um gostar de muitos verbos ao mesmo tempo."

(Carla Madeira - Livro Tudo é Rio)


"E a vida, como metáfora de um rio, tudo traz, tudo leva, tudo lava. Menos o amor. O amor é uma verdade à prova do tempo."

(Cris Guerra - Prefácio do livro Tudo é Rio)


É lindo, é puro, é divino.

Mas também é caos, entrega, dedicação. 

Muitos escritores, ao longo de muitos e muitos anos escreveram sobre o amor. Com isso, ao longo das épocas e contextos, o amor foi sendo abordado de modo bem distinto: como romance, pureza, sentimento que fortifica, tragédia, fator de adoecimento… 

Mas por que amar? 


Somos seres humanos totalmente sociais, buscamos aprovação e afeto, queremos viver o amor e, quem sabe, vivê-lo bem. 


Mas se pararmos para pensar, amar é verbo, e verbo requer ação. Para ser amado, como Shakespeare afirmou, é preciso que se dê razões para tal, que se faça e construa o amor. Não é algo dado, é algo construído. E se são nas atitudes que se demonstra o amor, quanto mais atitudes que sustentam esse verbo, mais seguro de ser amada a pessoa é.


E, ao contrário do amor romântico, o exercício de amar não é fácil.

Porque amor é também um valor de vida, e viver esse valor requer empenho em fazer valer para si e para o outro esse valor. 


Quando se vive o amor dessa maneira, muitas outras questões surgem, principalmente em relação a quem se ama. Amar o outro é também ter a percepção de que esse mesmo outro, por mais que também esteja vivendo o amor como valor, tem tantos outros valores de vida que estão em questão e que, por vezes, não são os mesmos que os seus. Sem contar que a própria demonstração de amor pode ser diferente… 


Um outro ponto de grande relevância aqui, é como se deseja receber o amor, como se deseja ser amado. 

No livro As Cinco Linguagens do Amor, Gary deixa bem claro que a maneira como manifestamos nosso amor e como o outro gosta de receber, pode ser bem diferente da maneira com a qual desejamos ser amados. Ou seja, precisamos aprender como manifestar amor ao outro, mas também como gostaríamos que esse amor fosse manifestado para nós. Essa diferença, por mais complexa que seja, é imprescindível para que viver o amor seja sustentável e respeitoso. Assim, devemos tomar atitudes que também façam valer o modo como desejamos que nos ame, como desejamos nos sentir amados e, se possível, ser congruentes na comunicação. 


Justamente por isso, escolher viver o amor também é escolher amar a diferença. 

E é bem bonito quando se escolhe viver o amor e amar a diferença. 


Mas a qual custo você está vivendo o seu valor, o amor? 

Para amar, você está abdicando de quais outros verbos e valores, que são tão importantes quanto o amor? 


Cris disse que a vida é como um rio, que leva, traz e lava, mas que o amor, o ato de amar, ele fica, ele é ação permanente com maneiras distintas de serem experimentadas. Precisamos compreender que, enquanto se ama, também se vive, e qual é a vida que você está vivendo, mesmo amando? Mesmo amando as diferenças? 


Viver o amor é realmente lindo, desde que ele seja parte de um todo, e esse todo diz respeito a sua vida valiosa e aos demais valores que se fazem importantes existir nela, afinal de contas é importantes gostar de amar e ser amado e, em meio a tudo isso, autorrespeitar-se! 


Desejo que o amor agregue a vida valiosa que você merece ter! 


  

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